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Alguns Tweets I

  1. E o presente? Se o passado não é absoluto e precisa ser re-significado, um amanhã colorido pode depender da restauração das cores do ontem. about 23 hours ago from web
  2. Penso na maturidade e na velhice. Precisamos aprender a enternurar nossas reações. 3:56 PM Nov 7th from web

  3. Igreja protestante vira inferno. http://bit.ly/1N6dN9 10:46 PM Oct 31st from web

  4. “Deus me mandou roubar este carro” http://migre.me/alTN 5:30 PM Oct 30th from web

  5. Bem-vinda @AdriaGyanne 5:20 PM Oct 30th from web

  6. Andar com Deus é tatear no escuro, é dançar uma música de sons anímicos, é brincar em um jardim invisível, é jornada rumo ao próprio âmago. 5:16 PM Oct 30th from web

  7. A Cruz em Forma de Mandacaru – A Palestina agreste? http://bit.ly/TLvkj 5:11 PM Oct 30th from web

  8. Bem-vinda @Luciana_636 1:08 PM Oct 30th from web

  9. Identidade é, ainda, o reflexo produzido em mim pelo outro. Somente sou um, indivisível, por causa do dois, meu contraste. Que reflexo faço? 1:04 PM Oct 30th from web

  10. Reivindicação Profética Evangélica? REIVINDICAÇÃO do direito do outro. PROFÉTICA: atitudes de J Batista. EVANGÉLICA: Jesus nos meus passos. 12:42 PM Oct 23rd from web

  11. RT @millorfernandes O círculo é uma linha que já não tem mais ambição. 12:22 PM Oct 23rd from web

  12. Definitivo, punhalante e cabal. Microconto de @gondimricardo: http://bit.ly/n7o8s 1:02 PM Oct 22nd from web

  13. Uma rua só para produtos evangélicos (a maioria dvds e cds piratas) em SP é a evidência de um nicho de mercado, só. Jesus? Não está nisso. 12:51 PM Oct 22nd from web

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O Eterno e o Menino

Aí o Eterno chamou a Samuel pela terceira vez. Ele se levantou, foi onde Eli estava e disse: – O senhor me chamou? Estou aqui. Então Eli compreendeu que era o Eterno que estava chamando o menino e ordenou: – Volte para a cama e, se Ele chamar você outra vez diga: Fala, ó Eterno, pois o teu servo está escutando.
I Sm 3.8,9 (Linguagem de Hoje)

Algumas pérolas bíblicas somente são encontradas em entrelinhas de determinadas traduções. É o caso deste texto. Aqui, encontramos uma lição profunda sobre o encontro entre Deus e o homem.
Em um quarto estava Eli, um velho profeta acostumado a ouvir Deus falar e sabedor dos valores que o povo de Israel estava abandonando. Era um Pai ruim, um juiz meio relapso, mas sabia discernir quando Deus estava querendo se comunicar. No outro quarto estava um menino de apenas 12 anos que não tinha a mínima idéia do que estava prestes a viver. Jamais saberia que seria o último juiz de Israel, que ungiria dois reis, e, muito menos que um desses reis teria como descendente o Messias esperado.
O que salta aos meus olhos nesse texto é a simples sentença: “… o Eterno … chamando o menino.” È incompreensível o amor de Deus. Como poderíamos imaginar que Ele estaria disposto a falar com um menino de 12 anos? O Todo-Poderoso, o Deus Altíssimo, Aquele que é maior do que o tempo, falava com um menino. O senhor que não conhece o tempo como barreira chamou por 3 vezes aquele pré-adolescente.
Nunca questione quando o Senhor começar a trabalhar em quem você menos espera. Para Ele os limites não são iguais aos nossos. Mesmo sendo um Deus tão Grande (aliás, Ele é maior do que a própria vida), está disposto a investir todas as suas fichas em mim e em você, meros mortais, pequenos e cheios de defeitos. Ele sabe o que está por vir. E fará proezas.
A parte dEle foi chamar, a de Samuel foi dedicar-se integralmente. Se fizermos o mesmo, soubermos quem está nos chamando e quem somos, não haverá limites para tudo o que Sua mão realizará a partir de nós.

Sabendo que o investimento de Deus não é em vão,

EDNEY MELO

P.S. Esse é um texto de uma década atrás.

VAI UM SOFRIMENTOZINHO AÍ?

“A vida tem dessas coisas” é uma expressão quase idiomática. Todo mundo, eu incluso, fala freqüentemente isso. Que coisas? É muito indefinida a resposta para essa pergunta. A vida é extensa, profunda e indescritível demais para a resumirmos nessas pequenas explicações filosóficas arroz-com-feijão. Nós queremos respostas. E respostas que nos calem. Precisamos aceitar o que ocorre conosco. Mas para aceitar, primeiro: meu sofrimento precisa ser audível; segundo, o meu sofrimento precisa ser coletivizado; terceiro: o meu sofrimento precisa me valorizar.

Há várias formas de ser ouvido. Acompanhei por algum tempo de minha vida a comunidade dos surdos. A maioria não fala, conseguem se comunicar através de um interessante sistema de códigos que varia de região para região do país ou nação do mundo. Como seria o grito de socorro de quem nunca falou? Não sei. Só sei que ele ou ela conseguiria se fazer entender. Assim também usamos nossas agruras para ser ouvidos no meio da multidão. Parece que sabem que estamos aqui quando sofremos mais. “Lá vai aquele pobre coitado!” Isso nos destaca na multidão.

Arilda, minha boa amiga Arilda! Treinou os líderes de uma comunidade que eu pastoreei e fazia parte da equipe de planejamento estratégico da Betesda Joaquim Távora, no início dos anos 2000. Morreu de câncer após muito sofrimento. Eu me lembro de uma conversa ao telefone, enquanto ela estava se submetendo a radioterapia e quimioterapia, que a debilitavam grandemente. “Tenho muita coisa para fazer. Idéias para expor… Mas minhas mãos doem muito. Não consigo digitar, navegar na internet”. Eu respondi: “Então tudo bem, deixa pra outra vez!” Fiquei surpreso com a interrupção: “Nada disso! A gente ainda pode conversar!” Ela nunca usou o seu sofrimento para lhe destacar. Pelo contrário, vendo sua garra, a última coisa que víamos nela era sua doença.

Sofrer sozinho é sempre mais duro. Eu preciso tornar meu sofrimento algo coletivo. É aquela facilidade que temos de sempre comparar o nosso sofrimento com o do próximo, ou até fazer o próximo sofrer também. Como se o nosso sofrimento não fosse suficiente para nós, e, precisássemos levá-lo ao nosso amigo, que, invariavelmente, não consegue nos ajudar por causa do mau cheiro, exalado pelas nossas feridas purulentas, que só estão assim porque limpá-las melhoraria nossa vida, mas nos tiraria os olhares dos pesarosos.

Mais uma vez eu me lembro de minha amiga Arilda. Incrível como mesmo carequinha por causa do tratamento, ela conseguia passar despercebida pela multidão. Sim, ela fazia parte do coletivo. Mas não do coletivo infeliz e depressivo lambedor de feridas. Ela era daquele seleto grupo dos anônimos parecidos com Cristo na dor. Conseguiu interceder, perdoar, e até cuidar da própria mãe, garantindo o novo arrimo da família, João, seu discípulo, mesmo pregado na cruz.

Em terceiro lugar os sofredores profissionais se valorizam através da exposição de suas experiências angustiantes. São como crianças que usam o choro para chamar a atenção dos pais, para ganhar um afago a mais, para ser considerados mais preciosos, especiais.

Engraçado, Arilda era especial. Mas exatamente pelo oposto. Por simplesmente ignorar seu mal. Ela era especial por si. Ela era extraordinariamente ela. A dor, não pode nos classificar. Nós somos o que somos (que redundante!). Não precisamos de dispositivos para ser aceitos.

Não é nossa deformidade o que nos torna preciosos, apenas nós.

Arilda teimava em viver caminhando para morte. Havia em si – e era notório para quem a conhecia – uma fome de produzir e de crer. A lição aprendida por mim com a Arilda? Precisamos sofrer para melhorar e, às vezes, até morrer. Porém nunca deixar de acreditar na vida.

Meu sofrimento não é um produto oferecido por mim à minha comunidade para que me amem. É parte do projeto de Deus para me tornar mais parecido com Jesus.

EDNEY MELO

P.S. Esse texto tem quase 10 anos. Posto para percebermos se mudamos e/ou melhoramos com o tempo. Fiz apenas uma ou outra mudança para tentar atua;izá-lo.

William Paul Young concedeu essa entrevista, revelando, rapidamente suas intensões com o livro.

Deus está perto.

EDNEY

Carlinhos Veiga – Esse Mundo tá Louco.

Inteligente e perspicaz.

Três Grupos, um Sonho

Como pastor, eu me deparo com realidade tão cruéis e praticamente insolúveis, quanto desafiadoras. Ao redor, vemos esse “mercado religioso” da era shopping center, em que as pessoas passam em frente às igrejas e assistem cultos como quem olha vitrine e experimenta roupa, ouvindo do “vendedor”: se não ficar satisfeito devolva! Sabemos que estamos fora disso. Simplesmente não nos encaixamos. No entanto, não podemos evitar que, em nossas igrejas, tenhamos muitos que frequentam com o mesmo coração dos que passeiam pelos shoppings, tentando encontrar uma “solução” para a sua necessidade.

Num, que seria o outro extremo, vejo gente com um coração sincero, mas tradicional, que aprenderam a fé através de anos e gerações de uma cultura arraigada a qual é, em si, o bastante para conter todos significados do evangelho. Cuja mudança de mentalidade é um exercício muito grande e até traumatizante.

Acredito em um terceiro grupo que entenda essa proposta a qual abraçamos. Essas pessoas entendem que o reino está na força que dermos às relações e à encarnação do Cordeiro, não do Leão. Esse grupo não valoriza tanto os cultos e as programações como nós gostaríamos. Até deixam de estar na igreja para estarem com a família (e isso sem crise). Mas são capazes de promover o bem, auto-esvaziando-se para ajudarem ao que tenha menos ou viva em situação miserável, e nem por isso são descompromissados com a própria comunidade, que também deve elaborar uma outra liturgia, uma que valorize a vida.

Acho que vamos sempre ter o primeiro e o segundo grupo, os quais não podem ser classificados simplesmente como certos ou errados e que são irmãos que precisam ser respeitados. Tento desenvolver dentro deles a essência do terceiro.

É isso.

EDNEY MELO

Ouvindo uma pessoa como a Vanusa cantando isso aqui,  aparentemente, sem noção nenhuma do que está fazendo, eu me pergunto: em que nível está a civilidade de um semi-alfabetizado nas favelas, sertão, ou qualquer ambiente sem as facilidades intelectuais de um desses representantes da MPB, por esse Brasil afora?

Lamento, lamento por tudo o que algo tão ridículo represente.

EDNEY MELO

A Maior Força da Terra

Não sei se você teve acesso ao documentário produzido pela BBC, em 1993, “Além do Cidadão Kane”, que traz sérias denúncias contra a Rede Globo de Televisão, com detalhes sobre as atividades da empresa nos trinta anos anteriores à edição, com imagens e depoimentos reveladores sobre os bastidores da empresa, que, segundo o programa, fora conivente com a ditadura militar, deturpou informações para mostrar apenas o que fosse de seu interesse e, através de manipulação de pesquisas, elegeu o presidente que queria. Tem cerca de uma hora e meia e tem o hoje falecido Roberto Marinho como alvo principal, e é para ele o título do material.

Desde que assisti o vídeo, tardiamente, claro, há pouco tempo, tenho meditado em qual realmente seria o maior poder do mundo. Minhas conclusões.

Não é o Capitalismo puro. Ele teve que se reeditar para passar pelas cortinas de bambu, na China. O Google, o You Tube, dois dos símbolos da liberdade capitalista, milionários, tiveram que mudar suas programações e se renderam aos mecanismos de censura da República Socialista da China;
Não é o Socialismo puro. A mesma China precisou da Coca-Cola. E hoje está tentando fazer com que sua economia “não cresça tanto”. Sem contar a queda da camarada comunista, URRS;
Não é a Força do Poder de um líder ou sistema (incluindo o Fascismo, o Nazismo e o “Bushismo”). Milhares de mortos e torturados no Brasil não puderam calar a força quase muda dos estudantes e intelectuais. Li a respeito de tratores e metralhadoras entrando pela estrada barrenta de uma fazenda onde estavam mil e quinhentos estudantes “conspirando”.

O poder avassalador das mídias televisiva e escrita me dá uma pista sobre qual seria essa força. Entendo que a influência seja a maior de todas as forças da terra. Esses jovens, mencionados acima, eram locomotivas dispostas a tudo pelos seus ideais. Ideais recebidos por influências contundentes. Quem foi universitário na década de 60 deve lembrar que o sistema de créditos, esse da oferta de disciplinas que separa os alunos a cada semestre em turmas, dependendo da Universidade e curso, até em endereços diferentes, é relativamente recente, podendo ter sido criado exatamente para minimizar os efeitos das “más influências”, tentando aniquilar as oportunidades de articulação dos alunos.

Morreram ou foram torturados, por causa de seus ideais, jovens estudantes, professores, compositores, escritores e gente comum, que era bem influenciada. A história da igreja lista, também, homens e mulheres “dos quais o mundo não era digno”, os quais eram capazes de ações espetaculares, mártires, anônimos, muitas vezes, por, unicamente, uma Causa, que, segundo ouvi, “era maior que a extensão de suas vidas”. A razão pela qual se fazem coisas extraordinárias em nome de um ideal, a meu ver, é a influência.

Ninguém pode deter os motivos que residem no íntimo do coração. As flechas, o fogo ou qualquer arma moderna não os destroem. Indelevelmente foram impressos nas almas, por causa da ação invisível da influência certa. Quando leio “Ide e fazei discípulos”, capto: “Ide e espalhai a boa influência”. Seja ela plantada e regada. Não se pode negar a influência dos flash mobs (movimentos instantâneos agendados por meio do Orkut) ou a força motriz que faz com que milhões de pessoas votem, gastando, para alguém ser expulso de uma casa vigiada por si, mas com as imagens editadas por um Grande Irmão, diretor de televisão. Mas não posso negar o poder da influência que podemos receber ou produzir de padrões corretos vindos de um Influenciador Eterno.

Podemos nos curvar à mídia, aos maus costumes, ao jeitinho brasileiro, à corrupção. Ou podemos lutar, acreditar, criar grupos da boa influência, por Jesus e por seus princípios, ou… morrer tentando.

Temos muito a aprender com os porões da Ditadura e com as fogueiras dos Mártires,

EDNEY MELO

Um tema tem sido exaustivamente trabalhado recentemente e provocado um debate muito interessante nas rodas de amigos e em alguns programas sérios de discussão na televisão e no radio, que é a batalha titânica entre duas corporações grandíssimas: o Grupo Roberto Marinho e a Igreja Universal. Os lados dessa guerra podem se considerar dois dos mais bem-sucedidos empreendimentos de todos os tempos no Brasil. Tudo começou com uma reportagem no Jornal Nacional, da Rede Globo, que denunciava lavagem de dinheiro pela Igreja e empresas ligadas ao Edir Macedo. Em contrapartida, a Rede Record, de Macedo, passou a exibir denúncias sobre extorsões e outras irregularidades, já até expostas em um documentário da BBC, “Além do Cidadão Kane”. Isso tudo, num momento em que a Record, da Universal mais cresce no consciente coletivo e, claro, em audiência e arrecadação. Especialistas em mídia, já dizem que isso já é um prejuízo para quem ganha com televisão porque haverá o acentuamento da migração maciça em direção a outros meios de comunicação, principalmente a eletrônica, os grandes portais de notícias e entretenimento, como o Terra, o UOL e o Youtube, agradecem.

Por outro lado, a Igreja Universal está encarando essa série de acontecimentos como uma Guerra santa. Deus está sendo afrontado pelo diabo. Uma empresa de televisão comprada por mercadejadores da fé, que, segundo a revista Veja, injetam mais de 30 milhões de reais por mês, através da compra de horários, para apresentação de cultos de exorcismo e debates de falso cunho existencial, tem uma programação sem nenhum limite ético, com novelas que, apenas por audiência, promovem todo tipo de torpeza moral.

O grave, para mim, não é a guerra em si. Ela é explicada em uma selva milionária de interesses pela alma de um telespectador. O injustificável são os argumentos de uma empresa religiosa (quis escrever empresa e não igreja mesmo). A nação pode comparar todos os evangélicos e igrejas sérias a essa corja de falsos pastores. Minha maior tristeza é que esses bispos não estão sozinhos. Cada vez aumenta mais o número de vagões desse trem da sordidez religiosa, cheios de apóstolos, até. A lógica de Max Weber, no seu “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, é invertida. Ali  encontramos  o conceito de que a forma com que o movimento protestante encarava o trabalho fez surgir o modelo de desenvolvimento econômico até de hoje. Nos movimentos  encabeçados por líderes como os da Universal, todavia, o trabalho não é incentivado. Apenas o encontro fácil de benesses através de rituais. E para os líderes, o fim está no próprio lucro adquirido na arrecadação por conta desses rituais na igreja, que, depois serve como capital inicial para construção de impérios corporativos.

Proponho uma outra lógica, que adotei como minha, apesar de não a ter iniciado. Deus não está nesse “negócio”. Jesus Cristo, no projeto que estabeleceu, nunca se rendeu a qualquer cortejo de poder. Todas as vezes que tentaram forçá-lo a assumir poder político, em qualquer esfera, ele se distanciou. Jesus até intentou uma certa anonimidade, quando pedia aos que curava a ficarem calados. Para ele, o mais importante era a transformação da historia individual dos seus seguidores. Falava com cada um, dizendo o nome de cada um, embora a multidão, muitas vezes, o seguisse, pelo que ele fazia extraordinariamente, por isso querendo um libertador político. Certa vez, saíram em abandono, após o fatídico discurso de joão capítulo 6, e ele perguntando se queriam os poucos que ficaram sair também. Preferiu continuar investindo, porém, por causa da frase do mais problemático dos seus discípulos. Olhando para o mas difícil, quis manter o projeto da Cruz de pé.

O povo brasileiro tem deixado sua esperança vagar de mão em mão desde a colonização. A “catequização genocida” dos indígenas, a libertação de escravos que gerara, à época, populações inteiras de mendigos, a proclamação de uma república débil, o golpe militar, a saída desengonçada desse regime que ainda não nos permitiu a criação de uma personalidade nacional realmente íntegra e soberana, tudo isso já seria demais. Agora, surge essa guerra pela posse do quarto poder: a midia, que apesar de fragmentada, por causa da internet, ainda está nas mãos dos canais de televisão. Mesmo com uma empresa gerida por religiosos em um canto desse ringue, imagino que Jesus sequer esteja no ginásio. A necessidade de esperança é generalizada em todos os cantos desse país, dos ambientes mais abastados aos mais pobres; dos mais fortes aos mais frágeis. Como aquela multidão que vagava como ovelhas sem pastor, vista por Jesus, essas multidões brasileiras de hoje, esperam um motivo para ter esperança, mas se contentam com o ópio.

A reposta para a pergunta sobre de que lado ficar tem somente uma resposta: N.D.A. Nem o deus defendido pela Universal é o que conheço, nem o diabo, rótulo para a Rede Globo, são opções válidas para qualquer um que queira desfrutar de uma vida coerente com o Caminho do Nazareno. O estilo de vida iniciado por Jesus não passa por nenhuma das propostas encabeçadas pela Rede Globo ou pela Rede Record. As crianças continuam morrendo no Nordeste, a corrupção impera no Senado e todos continuam olhando para a tela da televisão. Vamos empunhar uma proposta de vida e pregação na contra-mão dessas alternativas. O projeto de Jesus é outro. E por mais que escrevamos e leiamos a respeito dele, é um plano de vôo ainda navegado por poucos.

EDNEY MELO

Como nasce uma palavra? A primeira resposta que se pode imaginar é: alguém pensa em uma boa idéia abstrata e a associa a uma porção concreta. Na verdade, um signo linguístico, como os teóricos chamam aquele símbolo escrito, nasce da fala. A fala é o ato da comunicação oral. Comunicação, porque envolve uma comunidade, para facilitar, eu diria, de duas pessoas. Essas duas pessoas estão uma em frente à outra e precisam mutuamente, que o outro entenda alguma coisa que está dentro de suas mentes. Digamos que um dos dois esteja querendo que o outro saiba que este está com fome. Essa necessidade, vai gerar um consenso sobre algum tipo de forma simbólica para expressar “comida”. Depois que isso é estabelecido, esses dois passam a multiplicar, e, por fim, temos uma palavra. E eu estou mencionando, hipoteticamente, pessoas que podem ouvir e ver. Se forem surdos ou cegos, seria uma outra história.

Quando passamos ao trabalho de escrita, exploramos um universo ainda mais denso. Esse processo todo é “experiencial”. Toda a expressão normatizada humana, em qualquer idioma, surge de uma única necessidade: sermos compreendidos pelo outro. A grande problemática que a filologia, que usa ferramentas das ciências sociais para estabelecer a etimologia de uma palavra de origem antiga, reside na dificuldade de alcançar a emoção da sociedade, que utilizava tal palavra, tinha, à época que esta era usada, bem como a influência de todas as nuances circunstanciais em todo esse processo.

E quanto às idéias, as abstrações humanas sem correspondência direta a algum fato, ou objeto tangível? E quanto ao conhecimento? E se a questão não for expor o que há na alma, na mente, mas receber, aprender, adquirir um assentimento, uma verdade, uma proposta, um conceito que mude, que transforme a relação consigo, com o meio, com o presente, com o passado, com o futuro? Mais uma vez, é com o outro a história. Precisa-se de novo dele. Mesmo que esse outro não tenha rosto, não seja uma pessoa, seja um externo inanimado. De qualquer e toda forma, o aprendizado vai envolver, alguém de carne osso na outra ponta da “mesa de estudo”.

Reduzindo nosso objeto de reflexão para o Brasil, encontramos uma identidade de processo e instituição de ensino que é, hoje, exatamente o mesmo desde a época dos Jesuítas.

Meu professor de Fonética e Fonologia da faculdade, o pesquisador José Lemos Monteiro**, defendia, já no início dos anos 90, que o melhor método de ensino que os estudantes não-profissionais (aqueles que trabalham de 8 a 12 horas por dia antes de entrar na sala de aula), seria um semelhante ao que acontece no Mestrado, em que os professores são orientadores e não apenas depositores de informações. Ele defendia que todo curso universitário de ciências humanas deveria acontecer na biblioteca. O aluno teria sua própria experiência com as teorias, “ouvindo” diretamente dos autores e teóricos e depois compartilhando com o professor-orientador. Obviamente, a indústria do sistema de créditos das universidades não permitiria isso tão cedo. Lemos deixa claro que o professor aprende com o aluno enquanto os dois “experienciam”, degustam, em uma produção de conteúdos mútua.

Re-lendo A República, de Platão, uma conversa entre Sócrates e Glauco sobre a aquisição do conhecimento resulta na narração de O Mito da Caverna, que é a estória de um sujeito, que, com seus companheiros, são prisioneiros, acorrentados desde a infância com o rosto virado para a parede do fundo de uma caverna, na qual eram projetadas, por causa de uma fogueira do lado de fora, no alto de uma colina, e do outro lado de um muro, a sombra de todos os transeuntes daquele trecho, o que era a única relação dos acorrentados com o mundo exterior. Este acorrentado é liberto e tem “experiencia” o conhecimento, tendo seu rosto virado para fora da caverna, ele é recebido pelo conhecimento. A parábola é, segundo o próprio texto, sobre “o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância”***. Na minha intuição, a nossa relação com a verdade tem exatamente em “relação” a principal fonte de significados.

Somos tão viscerais, que amamos ao que queremos ter. Isso envolve todo o tipo de aquisição. Aos formadores de opinião (professores, palestrantes, gerentes.., et caetera – lit e os outros), e, no meu caso, pastores, gostaria de sugerir, se me permitem, que nossa relação com nossos alunos, membros, clientes, seja mais verdadeira do que a idéia a ser exposta. Eu entendo que teologia, (isto, no meu caso), é refém da experiencia, inclusive, minha com o meu ouvinte. Ele, logo que ouvir de mim o que quer que seja, já vai evoluir em algo que é verdadeiro, do que falei, para ele próprio. Então, ele repassa para mim e eu cresço com isso.

Quando re-leio o que Jesus disse “conhecereis a verdade” e procuro um léxico confiável que me ajude com a etimologia grega, encontro a mesma palavra para “coabitar”. Conhecer a verdade, seria “experienciá-la”. Conhecer, inclusive, a Verdade orgânica, não sistemática, sistêmica, um homem, nazareno, judeu, Deus. Preciso ser mais vulnerável na minha relação com o conhecimento, com o outro, e, principalmente, com o Senhor de mim.

Uma proposta de um líder vulnerável, não é muito aceita porque nossa “episcoplaidade” não admite erros. E a relação mais sincera, não é com o meu discurso, e, sim, com a tradução desse discurso em minha prática diária.

Concluiria com uma proposta: que tal convidarmos um morador de rua ou uma favelada para um de nossos debates sobre ação social? Ou mais: que tal fazermos um debate sobre o pobre, em uma favela, com uma criança órfã no colo, debaixo de um viaduto, onde pessoas moram em casebres com paredes de papelão, sentados em uma pedra, tomando café feito em uma lata de leite, ou enquanto ajudamos a algum analfabeto a ler? Adquiriremos o conhecimento que, em uma sala da aula, seria difícil experimentar. Além de cumprirmos o Ide de um certo palestino, que, até em seu discurso, ressurreto, quis ficar perto de nós, dizendo: Eu vou estar com vocês até o fim. Criar novas palavras seria necessário? Precisamos reforçar o significado de algumas que já existem. Voltar a acreditar naquilo em que aqueles que as normatizaram acreditavam em relação a elas. Algumas sugestões: Jesus, outro e solidariedade.

E experienciareis a Verdade e isso, somente isso, vos libertará.

EDNEY MELO

P.S. Leia a biblia. Ela é aformada por biografias. Estórias escritas de vidas verdadeiras.

**Paraense radicado em Fortaleza, José Lemos Monteiro é doutor em Letras pela UFRJ e tem dedicado sua vida à pesquisa e ensino da língua portuguesa, como professor titular da UNIFOR e professor Adjunto da UFC e UECE. Sua produção intelectual é bastante ampla e diversificada, somando treze livros e cerca de setenta estudos publicados em revistas especializadas. Abrange obras de ficção cientítica e literária, algumas premiadas, bem como ensaios de natureza lingüístic, estilística e educacional.

*** A REPÚBLICA, Platão, pag 164 Tradução de Enrico Corvisieri, Editora Nova Cultural Ltda, 1997

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