Não sei se você teve acesso ao documentário produzido pela BBC, em 1993, “Além do Cidadão Kane”, que traz sérias denúncias contra a Rede Globo de Televisão, com detalhes sobre as atividades da empresa nos trinta anos anteriores à edição, com imagens e depoimentos reveladores sobre os bastidores da empresa, que, segundo o programa, fora conivente com a ditadura militar, deturpou informações para mostrar apenas o que fosse de seu interesse e, através de manipulação de pesquisas, elegeu o presidente que queria. Tem cerca de uma hora e meia e tem o hoje falecido Roberto Marinho como alvo principal, e é para ele o título do material.

Desde que assisti o vídeo, tardiamente, claro, há pouco tempo, tenho meditado em qual realmente seria o maior poder do mundo. Minhas conclusões.

Não é o Capitalismo puro. Ele teve que se reeditar para passar pelas cortinas de bambu, na China. O Google, o You Tube, dois dos símbolos da liberdade capitalista, milionários, tiveram que mudar suas programações e se renderam aos mecanismos de censura da República Socialista da China;
Não é o Socialismo puro. A mesma China precisou da Coca-Cola. E hoje está tentando fazer com que sua economia “não cresça tanto”. Sem contar a queda da camarada comunista, URRS;
Não é a Força do Poder de um líder ou sistema (incluindo o Fascismo, o Nazismo e o “Bushismo”). Milhares de mortos e torturados no Brasil não puderam calar a força quase muda dos estudantes e intelectuais. Li a respeito de tratores e metralhadoras entrando pela estrada barrenta de uma fazenda onde estavam mil e quinhentos estudantes “conspirando”.

O poder avassalador das mídias televisiva e escrita me dá uma pista sobre qual seria essa força. Entendo que a influência seja a maior de todas as forças da terra. Esses jovens, mencionados acima, eram locomotivas dispostas a tudo pelos seus ideais. Ideais recebidos por influências contundentes. Quem foi universitário na década de 60 deve lembrar que o sistema de créditos, esse da oferta de disciplinas que separa os alunos a cada semestre em turmas, dependendo da Universidade e curso, até em endereços diferentes, é relativamente recente, podendo ter sido criado exatamente para minimizar os efeitos das “más influências”, tentando aniquilar as oportunidades de articulação dos alunos.

Morreram ou foram torturados, por causa de seus ideais, jovens estudantes, professores, compositores, escritores e gente comum, que era bem influenciada. A história da igreja lista, também, homens e mulheres “dos quais o mundo não era digno”, os quais eram capazes de ações espetaculares, mártires, anônimos, muitas vezes, por, unicamente, uma Causa, que, segundo ouvi, “era maior que a extensão de suas vidas”. A razão pela qual se fazem coisas extraordinárias em nome de um ideal, a meu ver, é a influência.

Ninguém pode deter os motivos que residem no íntimo do coração. As flechas, o fogo ou qualquer arma moderna não os destroem. Indelevelmente foram impressos nas almas, por causa da ação invisível da influência certa. Quando leio “Ide e fazei discípulos”, capto: “Ide e espalhai a boa influência”. Seja ela plantada e regada. Não se pode negar a influência dos flash mobs (movimentos instantâneos agendados por meio do Orkut) ou a força motriz que faz com que milhões de pessoas votem, gastando, para alguém ser expulso de uma casa vigiada por si, mas com as imagens editadas por um Grande Irmão, diretor de televisão. Mas não posso negar o poder da influência que podemos receber ou produzir de padrões corretos vindos de um Influenciador Eterno.

Podemos nos curvar à mídia, aos maus costumes, ao jeitinho brasileiro, à corrupção. Ou podemos lutar, acreditar, criar grupos da boa influência, por Jesus e por seus princípios, ou… morrer tentando.

Temos muito a aprender com os porões da Ditadura e com as fogueiras dos Mártires,

EDNEY MELO

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