A expansão nacional dos evangelhos e a invasão que estão sofrendo todos os espaços midiáticos está trazendo muito frisson, tanto entre evangélicos, quanto entre os que não professam fé nenhuma. Considerando a sua alta percentagem – chega a ter a média de 25%, e, na cidade do Rio de Janeiro a espetaculares 50%, é impossível ignora-la. A maior prova disso, foi o recente investimento da Rede Globo de Televisão: O Programa Promessas, a ser exibido no domingo, 18 de dezembro, apenas com cantores genuinamente do ambiente evangélico, como Davi Sacer, Ludmila Ferber e Ana Paula Valadão. Esta ultima, até deve ter um programa na mesma emissora, em 2012. Lembro que, segundo a revista Istoé, os participantes desse festival, têm, em media, contabilizados, cada um, 2 milhões de copias vendidas, entrem DVDs e CDs. Isso interessa muito às gravadoras e produtoras, já em crise há um bom tempo.

Isso é uma faca de dois gumes. Essa avassaladora exposição de evangélicos, com canais de televisão, jornais, bancada no Congresso Nacional, emissoras de rádio incontáveis, pode e traz grandes questões serias que devem ser observadas por todos. É imprescindível uma boa parada para avaliarmos o nosso real papel no nosso tempo. Esse momento de valorização, por um lado, e de preconceito, de outro, precisa ser visto e revisto por cada um de nós, criteriosamente. Achamos que toda a história da igreja se resume ao nosso tempo de vida. E isso nos impede de entender o nosso espaço no tempo em que vivemos e as oportunidades históricas que precisamos aproveitar, em relação a todo o tempo da igreja de Jesus na terra.

Não podemos deixar que as iguarias dos reis nos ceguem. Não podemos deixar que nos usem, sob o pretexto de darem espaço aos evangélicos. Existe um ditado americano que se aplica bem a essas ofertas de oportunidade: Não existem almoços grátis. As grandes empresas brasileiras estão de olho em um mercado com 40 milhões de consumidores. Consumidores alfabetizados, e, na sua grande maioria, em ascensão financeira, como o resto do país. Antes de festejarmos o espaço alcançado por evangélicos, precisamos limpar a conduta, purificar muitas dessas mãos, sujas por corrupção, conchavos. O pecado tem sido negligenciado de nossas atitudes, em função do politicamente correto. O fim nunca justificará os meios.

Estou longe de me colocar contra a expansão do evangelho. O que devemos fazer é aproveitar essas oportunidades que sótão surgindo. Aproveitar os espaços, a facilidade midiática, abundante, incluindo a internet, para expor o evangelho genuíno e transformador da Cruz. Extraordinária Cruz que levou homens e mulheres, no decorrer dos séculos, ao martírio, levando ao sangue sua luta pelo Reino de Deus. Devemos aproveitar essas oportunidades modernas para cuidar do próximo. A nossa responsabilidade com o nosso chamado precisa ser redimensionada. O nosso tempo de tomar nas mãos nossa vocação com o ide é agora.

Nesse momento histórico, nossa prioridade, muito acima de subir em palcos ou de ser populares, é fazer discípulos para Jesus. É sermos discípulos, empregando nossa existência ao Reino. A que ponto levamos a serio o espirito inconformado da reforma? Talvez seja a hora de responder.

Se entendermos nosso momento histórico, colocaremos o mundo de cabeça para baixo, como os primeiros cristãos, que morriam no Coliseu e eram queimados pelos seus ideais. Somos um grão de areia no percurso histórico milenar da igreja. Mas temos um papel que somente será desempenhado por nos. Se essas oportunidades são facas de dois gumes, que nosso discernimento, conduzidos pelo Espirito Santo, faça com que a lamina corte apenas para o lado correto.

Por Jesus e pelo Seu Reino

Edney Melo

20111217-021439.jpg

Anúncios