A maior dificuldade de cada um de nós diante da crucificação está exatamente na sua razão motora. Como compreender essa fraqueza, mutilação, execração, diminuição do próprio Deus? O “para quê” – o tempo todo – nos leva a procurar respostas, e as encontramos com uma certa facilidade: remissão, sacrifício, reaproximação de Deus e do homem, e outras. A questão mais difícil diz respeito ao por quê. O que havia dentro do coração do nosso Senhor antes e enquanto estava andando, consciente de que a porta do matadouro logo se abriria e Ele entraria para ser ferido e morrer? O que motiva, conduz, guia uma pessoa a morrer, sem que isso seja uma fuga suicida, depressiva, mas por uma causa, um propósito?

Ele foi em direção ao carrasco com seus próprios pés. Ninguém colocou o pé no seu pescoço e impôs: “se não fizer…”. Sua essência o fazia dar, a cada dia, um novo passo em direção ao flagelo. Ele quis fazer. Ele quis morrer. Tento imaginar os rostos que Jesus viu em seu último dia. Penso em como cada criança que passava por Ele, ou cada ombro que Ele tocou, ou cada sorriso que cruzou seu caminho, na manhã daquela sexta-feira, pôde se transformar em carrancas raivosas e gritos de ira e de revolta, na noite do mesmo dia. Imagino, ainda, o olhar de Jesus que encontrou o de Pedro, logo após o galo cantar. Quem era o forte e quem era o fraco, naquela fração de minuto? Pedro estava livre, dizendo todas as besteiras que quisesse. Abandonou seus interpeladores, fugindo de si mesmo para lugar nenhum. Porque ninguém escapa quando corre em direção à própria covardia. Jesus, por sua vez, estava preso, com amarras em suas mãos e guardas armados ao seu lado. A sua debilidade era a sua força. De cabeça erguida, sabia que os dias se tornariam em meses; os meses se tornariam em anos; depois em séculos; e outros entenderiam o segredo da fraqueza e o seguiriam.

A fraqueza de Jesus era o principal condutor do Seu Poder. Um amigo meu, interpretando o porquê da escolha da madeira de acácia para a construção da arca da aliança, e falando da imersão da madeira no ouro derretido, disse que os dois materiais se fundiram a ponto de não se conseguir, jamais, separá-los. Tornaram-se um só. O ouro é o caráter de Deus e a madeira é a nossa humanidade, nossa fraqueza. O que Jesus demonstrou em sua volitiva jornada em direção ao Calvário foi que a verdadeira força está na fraqueza, e que quanto mais do Poder de Deus e da manifestação de suas proezas estiverem presentes, mais frágeis precisaremos ser. O preço que o homem e a mulher pagam para ter, nas próprias vidas, a Glória e a Mão do Senhor é a própria fraqueza. Quanto mais espaço houver para nós, menos haverá para Deus. Quanto menos espaço houver para nós, mais espaço haverá para Deus.

Jesus foi o primeiro; e, profeticamente, antes de partir, disse: “quem quiser me seguir, tenha a coragem de assumir sua fraqueza e se negar, a cada dia. Desde a manhã, levante a sua própria – e intransferível – cruz, coloque-a sobre os ombros, e, finalmente, voluntariamente, venha após mim”. Quem quiser ser um discípulo de Jesus, saiba que suas decisões não serão fáceis, seu caminho será difícil, mas, os frutos que serão colhidos DURANTE o caminho serão incontáveis e maravilhosos. Se Jesus não houvera passado pela cruz, onde estaríamos? Se não passarmos pela nossa, onde estaremos, e tantos outros que olham para nós? “Diga o fraco: eu sou forte”. “A minha graça basta a você, pois o meu Poder se aperfeiçoa na sua fraqueza”.

Por Jesus, pelo Seu Reino.

Edney Melo

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