Temos muitos motivos para estar alegres com o assustador desenvolvimento e evidenciação do movimento evangélico brasileiro: redes de televisão, cantores que vendem milhões de reais, sob selos, que, antes, recusavam a músicas religiosas, além de bancadas em todos os ambientes legislativos do país. Isso, apenas para começar a falar da influencia desse segmento. Em todas as esferas, em todos os espaços, em cada família, há um evangélico. E isso traz muito contentamento.

Mas existe um lado B. Infelizmente, como qualquer movimento humano, tem furos, lacunas, defeitos horrorosos. Não creio que Jesus o quisesse. Mas Ele próprio teve que suportar, uma geração incrédula e perversa. E esses termos foram usados pelo próprio Jesus, por causa da ineficácia de seus discípulos. Não eram pessoas más, de propósito negativo, apenas não haviam entendido o que Seu Senhor estava requerendo. Apesar disso, não se pode justificar um empobrecimento que se agrava, em proporção direta ao crescimento numérico evangélico brasileiro.

Quando vi uma referência a dois irmãos e sua mãe, em diversos meios de comunicação, por cantarem uma versão “chacoteada” da música Pará a Nossa Alegria, que quase todos nós usamos nos anos 80, para evangelizar, em impactos evangelísticos, Brasil afora, não pude evitar minha indignação. Não por causa da pobre familia, que até ganhou campanha do programa Pânico para ganharem uma casa. O triste é perceber como estamos sendo destaque de forma tão fraca. O que temos mostrado como movimento diante do resto do Brasil?

Mais recentemente, corei de vergonha ao ver uma reportagem sobre uma operação da policia gaúcha chamada de “Deus está vendo”, para prender pastores envolvidos com venda de carros roubados. Com um movimento de proporções monumentais, como o evangélico, é inevitável que haja esse tipo de mau exemplo. O revoltante é que o correto chega a parecer numericamente inferior. Porque a fumaça levantada por esses últimos é realmente muito alta.

Eu acredito no que Jesus começou. E Ele, mesmo sendo solitário – ao final do Seu ministério foi abandonado -, estabeleceu em si próprio o correto, o ideal, o que deveria ser feito. Ser minoria não indica perda de terreno. Foram os menores e mais inexpressivos socialmente, os que produziram a revolução de leigos inconformados, segundo Romanos 12, mas extremamente comprometidos com o Evangelho do Rei Nazareno.

É hora de virarmos o jogo. Não tentando um movimento pirotécnico, mais uma caminhada de retorno, através da Bíblia, oração e uma pratica baseada em mudanças profundas, interiores, que se revelem aos homens. Essa caminhada, sim, revelará um caminho bom, embora doloroso e solitário. Afinal, ninguém disse que seria fácil.

Por Jesus e pelo Seu Reino,

Edney Melo

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