O sacerdote se aproxima de uma espécie de mini-zoológico. Gaiolas com pombos e outras aves menores ladeiam-se a cercados com bois e bodes. Passa por esses animais, mas nem olha em sua direção. Tem em mente um outro cercado. Tem uma tarefa muito difícil pela frente: escolher a ovelha mais preciosa de todas para o evento mais importante do ano. O macho, cordeiro, deveria ter uma característica muito especifica – não poderia ter nenhum defeito, nenhuma marca.

Dezenas de animais enfileirados diante dele jamais imaginariam o que estava prestes a ocorrer – era a escolha do cordeiro que seria morto como o símbolo principal da expiação das ofensas de toda uma nação. Obviamente, depois de morto, não seria capaz de presenciar a entrada do seu sangue no lugar mais puro e secreto do templo, chamado de o Santo dos Santos. O sacerdote entra no cercado e coloca sobre os ombros o cordeiro separado.

Ao passar pelas outras ovelhas, ouve um balido mais alto e se vira para ver de quem sairá o som. Era um cordeiro miúdo, de aspecto sofrido e cheio de marcas, cicatrizes de traumas. Ele coloca no chão, por um pouco o cordeiro que escolhera e se inclina perto daquele animal ferido. Chama o levita responsável para cuidar dos animais e pergunta: “Por que esse cordeiro está aqui com os outros? Ele não poderia sequer entrar nesse cercado!” A resposta foi imediata: “Quando ele chegou aqui estava bem. Mas, à medida que o tempo passou, ele foi ferindo-se, tentando defender uma ovelha de outra, em pequenas desavenças e sendo ferido pelas outras ovelhas, quando tentava cuidar das menores durante a hora da alimentação. Batia no cercado e quebrou a perna nas pedras. Esse lugar a fragilizou.”

O sacerdote se levanta, acaricia levemente a cabeça do rejeitado, coloca o precioso sobre os ombros e sai para dar continuidade ao seu serviço. O cordeiro ferido, vê aquele homem se afastar, enquanto tenta imaginar o motivo de sua rejeição. O levita, responsável pelos animais, olha para baixo, coça a cabeça, enquanto fixa seus olhos nos defeitos e cicatrizes que tornaram aquela ovelha inapta para o sacrifício. Inclina-se sobre ela e a coloca sobre seus ombros, para que passe o resto da sua vida em sua casa com sua família.

Quantos de nós não somos inadequados, rotulados, diminuídos, desclassificados, rejeitados, mesmo a caminho do sacrifício, querendo dar o melhor de nós? Graças a Deus que não é como os sacerdotes. Ele nos entende muito bem. Reconhece como nascem nossas feridas, coloca-nos sobre os Seus ombros e, por vezes, nos tira do cercado para nos tratar de outra maneira.

Por Jesus e pelo Seu Reino,

Edney, apenas Edney

20130308-121214.jpg

Anúncios