Não sei o que estou fazendo aqui, porque definitivamente esse não é o meu lugar… Mas se meu lugar não é este e estas pessoas não são meus irmãos, nem tem meu sangue, por que insisto em ficar? Sim, parece que ninguém tem meu sangue, afinal sangue é o que nutre nossos órgãos de elementos essenciais a sua manutenção, mas meu corpo não precisa só de oxigênio, potássio, ferro e vitaminas… Preciso mais de ideias, de projetos, de planos, de ambições, de sonhos, de reflexões e até de ilusões… Que seja assim! Sem medo admito e até sairia gritando: ilusões, ilusões, ilusões!!! Eu quero as ilusões! Minha alma precisa mais de ilusões do que meu corpo de alimento. Não quero dizer que anseio por uma vida de ilusões, mas que ao menos estas me são mais caras do que palavras soltas, conversas superficiais, pessoas fúteis e uma vida rasa.
Onde será possível encontrar a profundidade? Recorrer aos gênios falecidos talvez… Eu quero mais! Quero os gênios do meu tempo, os inconformados, os diferentes, os loucos… Preciso encontrar os néscios para trocar sandices, para quem sabe até viver a não sobriedade de existir consigo mesmo por muito tempo. Qual o preço da não adaptação? Vejo a cada dia um mar de sangue e incompreensão… Pois que assim seja, conforme as palavras do messias cristão: “Deixe que os mortos enterrem os seus mortos”.
Recusar-me a uma pseudovida de aparências é não apenas viver com os mortos, mas aceitar a própria morte de minha consciência e juventude. Ser incomum é mais simples do que se pensa, afinal a diferença configura-se em detalhes de não conformação. Os desavisados diriam: “Não vejo diferença, não a compreendo, portanto ela não existe”. Falas inaudíveis, insensíveis e inúteis… Há uma marca, um sinal de luz ou de trevas identificado apenas por aqueles que o possuem, não adianta aos demais tentar compreender, pois sempre parecerá absurdo.
O corpo em silêncio abriga a consciência inquieta, as ideias confusas e controversas. O preço do absurdo é a solidão. Saga infinita ou finita, eis a busca de companhia. Os demais seguem tranquilos, plenos de aparência, enquanto os perdidos tateiam à procura de algo ainda por definir. Tudo parece calmo no mundo dos homens, contudo alguns sabem que o caos nunca deixou nem deixará de existir, pois este caos é a própria vida.

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