Nascer dói. Quando saímos do conforto do  útero quentinho com comida de  graça, respirar dói, abrir os olhos é uma experiência traumatizante e o pior de tudo é a sensação de completa inapetėncia. Passamos de mão em mão como um pedaço de carne, sem nenhuma autonomia ou capacidade  de reação. Só no restava chorar. Até que…

Tudo muda. Alguém nos leva de volta. Mas, mesmo reconhecendo aquela voz, e o carinho nos envolva a ponto de nos silenciar, agora estamos do lado de fora, uma verdade inconteste se estabelece: nuca mais voltaremos. E nâo podemos fazer nada. E assim damos “olá” à vida.

Na música, Lanterna dos Afogados, o autor menciona a solidão e as marcas da vida, mas fala que há luz no fim do túneo e um”porto pra quem precisa chegar”.  Vejo nos braços maternos, logo após o nascimento, nosso primeiro porto. Um lugar para ancorar, reabastecer e nos organizar. Mas não é um ponto final, é transitório. E também é recomeço.

Quando começa a vida? Na concepção, na formação do sistema nervoso central, no nascimento? Eu acredito que a vida começa naquele colo.

Porque o porto, não importa de onde viemos, ou como chegamos, sempre será uma oPORTunidade de começar a viver. Interessante… o Herbert Viana, o autor da música, tambem teve que começar de novo.

Edney Melo

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